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Europa ou união europeia: baluartes de coesão ou espaços de clivagem?

Artigo de Ernesto V.S. Figueiredo.


I. INTRODUÇÃO

Procuraremos no seguimento dar conta de alguns resultados encontrados sobre 39 instituições (países europeus, associações de países europeias e dois outros países), observados que foram todos em 54 indicadores macro económicos, editados pela Comissão Europeia, publicados no Statistical Annex of European Economy e relativos ao ano de 2011. São estatísticas secundárias oficiais que, acometidas de algumas deficiências (p. ex., presença de valores faltosos e diversidade de escalas de aferição), não impedem as variáveis de análise (países ou associações) de se tornarem extremamente comparáveis.

Constitui objetivo da investigação relatada responder a algumas dúvidas, hipóteses e suspeitas que pairam no ar e estão latentes nas mentes de muitos cidadãos. Para tal, baseamo-nos no estudo das instituições, primeiro, globalmente, depois, desagregadas pelas seguintes entidades de importância reconhecida: 1º) Países da União Europeia (UE) a 28 membros (UE28); 2º) Países da UE28 e da UE a 15 membros (UE15); 3º)Países da UE28 e da UE a 13 membros (“UE13”, ditos de Leste); 3º) 4 associações de países europeias (a saber, UE28, UE15, Euro Área a 19 membros (EA19) e EA12), primeiro, sozinhas, depois, em simultâneo com os Estados Unidos da América (EUA ou USA) e Japão e, por último, 4º) cinco países balcânicos exteriores ao território da UE28, oficialmente comprometidos com programas de reformas estatais impostas nos procedimentos de candidatura à adesão à UE, como membros de pleno direito, a saber, a Macedónia, Turquia, Montenegro, Sérvia e Albânia.

Apesar de não se tratar de um estudo de causalidade, o que nos move em primeira mão é analisar as relações de associação entre os objetos de estudo aos diferentes níveis enunciados e avaliar da coesão (ou homogeneidade) das mesmas. Dito de outra forma, será que a Europa, globalmente, e as diversas uniões europeias enunciadas (em consequência de uma conceção hierárquica) se pautam por relações de estabilidade (duradouras) ou, ao invés, podem ser encontradas clivagens ou fraturas entre parcelas de território europeu e, em tal caso, onde e quais os seus recortes de delimitação?

Tivemos o cuidado de, em complementaridade do objetivo referido (de indagar a estruturação regional supra nacional da Europa), avaliar os membros de cada subconjunto de países acima enunciados, com dois critérios independentes, mas complementares: a estabilidade relativa das entidades em escrutínio através do coeficiente de variação e o desempenho (produto) das mesmas entidades através da média aritmética de cada uma. Constituem estatísticas descritivas (de acumulação e de dispersão) que vale a pena manter sob controlo.

Como modelo de análise multivariada, utilizada para aferir a estrutura relacional, foi utilizado o modelo de extração de Componentes Principais (CPs) da bem conhecida Análise Fatorial (AF). Procedemos à usual gestão estratégica (de retenção e interpretação) das componentes que se mostraram dotadas de maior capacidade explicativa, de significado empírico simples e extraídas em número mínimo de apenas quatro (quando extraídas nas 39 instituições) ou apenas uma (nas restantes situações). Aproveitámos sempre as duas primeiras CPs para produzir gráficos em espaço bidimensional.

Todo este trabalho dirigido para o estudo das instituições (países e associações) só foi possível tendo em consideração a observação (aferição ou registo) dos 54 indicadores económicos (aludidos acima), constituindo a segunda vertente, dita de recolha das variáveis condicionantes ou independentes. A matriz original dos dados define-se pelas (consta das) 39 instituições (variáveis dependentes objeto de estudo), por um lado, e pelos 54 indicadores (variáveis independentes ou elementos de observação), por outro. Revertendo ou invertendo o sentido do desenho experimental, teríamos outra temática a estudar que não se compadece com aquilo que nos ocupa nesta exposição.

Antes de passar à secção seguinte, vale a pena referir que, de estudos precedentes, é conhecido o facto de todas as instituições em foco serem correlacionadas mutuamente (entre si), de formas extremamente significativa e positiva (direta ou cooperante). Este facto é muito importante ser conhecido, já que, para além da alteração da forma usual que permite interpretar a estrutura correlacional entre todos os países e associações, apresenta efeitos diretos que se fazem sentir nos resultados que encontraremos no seguimento.

II. PAÍSES E ASSOCIAÇÕES DA (UE) E OUTROS PAÍSES DE FORA DA UE

Começamos a análise propriamente dita com o foco colocado nas 39 instituições, simultaneamente. É de salientar, desde já, uma situação criada característica deste estudo, (repetida nos próximos ensaios), derivada do facto já mencionado de estarmos em presença de países e associações de países altamente correlacionados, de forma positiva. Esta circunstância (de informação redundante) tem por consequência direta que o número de componentes principais extraídas, a fim de equivaler em informação ao elevado número das variáveis (instituições) existentes na matriz dos dados originais, se torna reduzido de forma abissal. Em semelhantes situações, lida-se com valores escassos da ordem da unidade ou pouco mais. Ocorre que optámos por resolver o problema dos casos omissos (missing values) através da sua substituição pela média dos valores presentes em cada variável (instituição). Esta facto faz aumentar o número de CPs com valores próprios acima da unidade, de 2 para 4.

Por inspeção da Figura 1 abaixo, com uma tabela da Total Variance Explained e uma imagem do Scree Plot, colhe-se a informação de que as quatro 1ªs componentes, após rotação Varimax para melhor aderência aos dados, (1ª CP com valor próprio ou Eigenvalue 15.11, 2ª CP com valor próprio ou variância 15.10, 3ª CP com valor próprio 4.95 e 4ª CP com valor próprio 1.8), acumuladamente, respondem por 94.75% da variância total explicada, deixando 5.25% de variância residual não explicada (quase insignificante). Este resultado, ou outros semelhantes que iremos encontrar, atesta o sucesso experimental obtido. O diagrama em crivo, fornecendo orientação para retenção do número de CPs mais adequado (de Eigenvalue acima da unidade), é explícito.

Fig. 1: Tabelada variância total explicada e Diagrama em Crivo

A Figura 2, abaixo, exibindo os valores das cargas ou correlações entre as quatro (1ª, 2ª,3ª e 4ª) componentes, por um lado, e as instituições que mais contribuíram para as respetivas estimativas, por outro, se bem interpretadas, afirmam que a 1ª CP se deve fundamentalmente aos contributos da Bélgica, Alemanha, Irlanda, Grécia, Espanha, França, Itália, Luxemburgo, Holanda, Áustria, Portugal, Finlândia, EA12, Dinamarca, Suécia, Reino Unido, UE15, USA e Japão. Ou seja, claramente, aos países ditos do ocidente (UE15), acompanhados das duas associações de países (EA12 e UE15) explicando, após rotação varimax, 38.73% (no total de 94.75%) da variância total explicada. A 2ª CP é sobretudo construída com auxílio da Bélgica, Estónia, Espanha, França, Chipre, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Holanda, Áustria, Eslovénia, Eslováquia, Finlândia, EA19, Bulgária, República Checa, Croácia, Hungria, Polónia, Roménia, Suécia, UE28 e Turquia. Ou seja, claramente, deve-se aos países ditos de leste (“UE13”), acompanhados das duas associações de países (EA19 e UE28), explicando, após rotação varimax, 38.71% (no total de 94.75%) da variância total explicada. Observe-se que esta 2ª CP recebe fortes contributos de 7 países da UE15, a saber, a Bélgica, Espanha, França, Luxemburgo, Holanda, Áustria, Finlândia e Suécia. A 3ªCP revela-se sobretudo construída à custa da Macedónia, Montenegro, Sérvia, Albânia e Japão, ou seja, claramente, deve-se aos 4 países balcânicos de fora da UE28 (Macedónia, Montenegro, Sérvia e Albânia) acompanhados do Japão, explicando, após rotação varimax, 12.69% (no total de 94.75%) da variância total explicada. Observe-se a ausência da Turquia e a presença do Japão na prestação de forte contributo à génese da 3ª CP. A 4ªCP revela-se sobretudo construída à custa da Grécia e Japão, ou seja, claramente, deve-se aos 2 países tidos como desviantes da centralidade, explicando, após rotação varimax, 4,62% (no total de 94.75%) da variância total explicada,

Fig. 2: 1ª,2ª,3ªe 4ª CPs e RepresentaçãoBidimensional das 39 Instituições Consideradas

A representação gráfica exposta na Figura 2 acima é também muito elucidativa. Mostra dois estratos (aglomerações de instituições), diríamos, em seguimento arqueado, com instituições nos dois extremos: do lado direito e mais próximos da 1ª CP, a Grécia e o Japão; do lado esquerdo e mais próximos da 2ª CP, a Estónia, Luxemburgo e Bulgária. Observem-se as grandes distâncias que afetam todas as instituições em relação à origem do sistema das coordenadas cartesianas. Tal significa que se trata de valores elevados das relações entre as instituições; ademais, como as marcações se situam todas no1º quadrante, comprova o facto, já assinalado, de serem todas positivas. A clivagem entre UE15 e UE13 torna-se por demais evidente.

III. OS PAÍSES EUROPEUS DA UNIÃO EUROPEIA A 15 MEMBROS (UE15)

Sobre os países constituintes da UE15, teceremos os comentários seguintes. Apenas a 1ª CP extraída (com valor próprio de 14.13) explica 94.22% da variância total explicada, deixando 5.78% de variância sem explicação, o que é quase insignificante. Esta 1ª e única CP a ser considerada como estratégica, assenta nas contribuições mais elevadas dos seguintes países: Alemanha, Espanha, França, Luxemburgo, Holanda, Áustria, Portugal, Finlândia, Dinamarca, Suécia e Reino Unido, ou seja, a 1ª CP assenta em 11 de 15 (73%) dos países em escrutínio. Os quatro países da Bélgica, Irlanda, Grécia e Itália, a par da Espanha, França e Portugal dão suporte à construção da 2ª CP, necessária exclusivamente para proceder à representação gráfica em espaço bidimensional.

Fig. 3: Primeira CP Extraída e Representação Gráfica em Espaço Bidimensional

Por conseguinte, tendo em atenção os comportamentos (valores mais elevados) das duas 1ªs componentes e tendo como mapa orientador o gráfico dos países da UE15 em espaço bidimensional da Figura 3 acima, é fácil concluir-se que uma separação (delimitação) clara de duas europas ocidentais é impedida pela Espanha, França e Portugal que tanto servem os países mais centrais (fortes) como os mais desviantes (periféricos) da UE15. Na figura visada, a Grécia distancia-se da Itália (que lhe fica mais próxima) e dos restantes países; o Luxemburgo acusa um desvio, mas de sentido oposto.

IV. PAÍSES EUROPEUS DA UNIÃO EUROPEIA (DE LESTE OU UE13)

Relativamente aos países membros de leste, chegados a partir de 2004 à EU, a maioria vindos da antiga URSS, uma vez submetidos à extração de componentes principais, conforme tabela exibida na Figura 4 abaixo testemunha, apenas uma CP, a 1ª, com um valor próprio de 12.46, responde por 95.87% da variância total explicada e deixa apenas 4.13% de variância residual por explicar. Esta 1ª CP apoia-se fortemente nos contributos maiores do Chipre, Malta, Eslovénia, República Checa, Croácia, Hungria e Polónia, deixando para trás os contributos da Estónia, Letónia, Lituânia, Eslováquia, Bulgária e Roménia que apostam na formação da 2ª CP, apesar de estrategicamente descartável.

Fig. 4: Variânca TotalExplicada e Representaçãoem EspaçoBidimensional

Por inspeção relanceada à representação em espaço bidimensional mostrado na Figura 4, pelo sistema de coordenadas cartesianas construído com as próprias, 1ª e 2ª CPs, observam-se efetivamente os dois agrupamentos acima definidos, claramente demarcados. A Estónia aparece em posição desviante, mesmo no seio do respetivo grupo de referência. Aqui sim, em contraste com o que sucede na UE15, a UE13 admite e revela uma partição interna muito clara com sete países num grupo e os restantes 6 países noutro grupo.

V. ASSOCIAÇÔES DA UNIÃO EUROPEIA, USA E JAPÃO

Uma avaliação prévia feita às quatro associações europeias, antes de as comparar com os dois países de referência adotados para objeto de estudo, a saber, os EUA e o Japão, de acordo com resultados expostos na Figura 5 abaixo, das exibições da tabela e do gráfico, anote-se que a única 1ª CP extraída, sozinha, com um valor próprio de 4.0, explicando 99.98% da variância total explicada e deixando a irrisória parcela de 0.02% por explicar, diz quase tudo oque há para dizer-se.

As quatro associações, poderiam (em teoria) ser apenas uma ou duas, por constituírem réplicas quase exatas umas das outras: maior homogeneidade ou coesão entre elas não é possível. Observe-se a quase sobreposição das quatro associações de países. Na verdade, o assunto (a variável económica e financeira) que as distingue, pelo menos à UE15 e à UE28 das EA12 e EA19, é a adoção do euro como moeda única dos países envolvidos. E esta variável, sozinha, parece estar hoje a pretender colocar em risco de existência, toda a União Europeia. O Brexit já ocorreu, sob a forma de enorme turbilhão político, de consequências nocivas imprevisíveis, muito aquém de estarem controladas ou suplantadas.

Fig. 5: Variância Total Explicada e Espaço de representação Bidimensional

Relanceando agora a Figura 5 acima, como resultado da extração da 1ªCP no conjunto das associações de países europeias acompanhadas dos EUA e Japão como entidades paradigmáticas, não de imitação ou plágio, antes para eventual estabelecimento de relações (de cooperação ou competição) que ajudem ao progresso e não permitam o retrocesso, relanceando a tabela da variância total explicada, dizíamos, comprova-se que a única 1ª CP extraída, agora, com um valor próprio de 5.81 e uma capacidade explicativa de 96.76%, deixando agora 3.25% por explicar, ilustra bem oque sucedeu. Os dois países incorporados criaram maior turbulência no sistema e, a única 1ª CP extraída já não consegue explicar a variância total aumentada, da mesma forma que o fazia dantes. Observe-se, no gráfico exposto, que o Japão se apresenta em posição desviante relativamente às associações europeias, coisa que os EUA não fazem. Ou seja, torna-se também clara a ilação de que a Europa (qualquer delas em foco) está mais próxima dos EUA do que do Japão, ou, o que é o mesmo, que as relações entre a Europa e os EUA são mais consensuais do que as relações entre a Europa e o Japão.

VI. PAÍSES EUROPEUS DE FORA DA UNIÃO EUROPEIA

Temos agora um grupo de países balcânicos de fora da UE28, comprometidos com as suas candidaturas a uma adesão de pleno direito, por isso pró europeus como os demais que também o são. Trata-se de países em vias de desenvolvimento, o que se repercute nas estatísticas descritivas de valores inferiores, como se comprovará adiante. Aqui, como nas situações anteriores (ver Figura 6 abaixo), uma 1ª CP extraída basta para, com o valor próprio de 4.80, explicar 95.94% da variância total, deixando 4.1% de variância residual por explicar. Observando-se o gráfico bidimensional (construído com as duas 1ªs CPs) logo se infere que se trata de um grupo de países relativamente homogéneo, com a Macedónia assumindo uma posição de desvio relativo em relação aos restantes países. Anote-se que a Turquia se correlaciona muito bem com outros grupos de países da UE, como se pode observar pela Figura 2 acima. Tal facto faz com que a Turquia contribua mais intensivamente para a construção de uma 2ª CP do que os restantes países.

Fig. 6: Variância Total Explicada e Espaço de Representação Bidimensional

Por último, no ordenamento do percurso percorrido, não em importância e significado, digamos que no grupo dos cinco países balcânicos (a Turquia é-o parcialmente), todos apresentam a particularidade de partilharem a pretensão de virem a submeter e a verem aprovadas as respetivas candidaturas de adesão à UE28. Outros cinco países balcânicos já fazem parte, como membros de pleno direito da UE28. E os restantes três (Bósnia e Herzegovina, Kosovo e Ucrânia) já declararam oficialmente que pretendem vir a angariar o estatuto de potenciais candidatos. Acrescente-se que a Ucrânia se vê presentemente a braços com uma guerra civil que lhe é imposta, a qual permanece em impasse e condiciona enormemente o normal desenvolvimento do país. É possível admitir a ideia de uma balcanização da UE28, dado que os países na calha para solicitar admissão à UE28 se mostram todos (total ou parcialmente) balcânicos. No entanto, no seio da Europa, da grande Europa, 14 países adicionais existem, que se mantêm fora da UE28, a saber, Andorra, Azerbaijão, Arménia, Bielorrússia, Geórgia, Islândia, Liechtenstein, Moldávia, Mónaco, Noruega, Rússia, São Marino, Suíça e Vaticano. E, acrescente-se, sobre todos estes países, ou seja, sobre seis pequenos países da Europa ocidental, sobre dois (de dimensões média e grande em área) do norte da Europa e sobre seis médios e grandes países a leste, deixando adivinhar uma expansão da UE28 dirigida através dos Balcãs para leste, em primeira mão, nada se conhece. Que um país todo-poderoso como é a Rússia, que já foi cabeça de império, nomeadamente, no pós-2ª GG, quando encabeçava e fazia parte da URSS, queira vir solicitar admissão e preparar-se segundo programas de reformas impostos, é difícil de antever. A adesão à UE é um processo complexo e demorado no qual, além de ter de cumprir as condições de adesão, o país candidato tem de aplicar a legislação e a regulamentação da UE em todas as áreas.

VII. ALGUMAS CONCLUSÕES

Sobre as conclusões a extrair, não vamos repetir os resultados parcelares dos grupos de países e associações indagados por interesse definido como objetivos da pesquisa. Em vez disso, daremos conta dos resultados apurados nas médias das instituições objeto de estudo e dos coeficientes de variação das mesmas. As médias traduzem o desempenho (produto alcançado) das instituições; os coeficientes de variação aferem o grau de estabilidade (variabilidade ou turbulência) institucionais. Tentaremos algumas comparações inter institucionais. No final, procederemos a uma análise classificatória confirmatória, inspetiva da estrutura já encontrada, utilizando o gráfico de dispersão dos modelos de regressão.

Fig.7: Médias e Coeficientes de Variação%: a) b) e c)

A Figura 7 acima mostra, à esquerda, as médias, ao centro, os coeficientes de variação e, à direita, a relação entre estas duas estatísticas. O ordenamento (por ordem crescente) das médias calculadas em cada instituição (dos 35 países e 4 associações) traduz uma espécie de desempenho institucional (ou produto alcançado). Observe a quase linearidade assumida com declive positivo moderado que poderia ser estimado, na sequência apresentada dos mais baixos (mais “pobres”) aos mais elevados (mais ricos): Sérvia, Chipre, Albânia, Malta, Grécia, Turquia, Montenegro, Roménia, Macedónia, Bulgária, Eslovénia, Croácia República Checa, Hungria, Polónia, Eslováquia, EA19, Espanha, Lituânia, EA12, UE28, Irlanda, USA, UE15, Letónia, Reino Unido, Portugal, Bélgica, Itália, Finlândia, Dinamarca, Suécia, França, Áustria, Holanda, Estónia, Luxemburgo, Japão e Alemanha.

O ordenamento (por ordem crescente) dos coeficientes de variação calculados em cada instituição (dos 35 países e 4 associações) traduz uma espécie de estabilidade institucional (variabilidade ou turbulência). A sequência ordenada feita das instituições mais estáveis para as menos estáveis (mais instáveis) é a seguinte: Estónia, Macedónia, Letónia, Lituânia, Sérvia, Alemanha, Suécia, Polónia, Eslováquia, Holanda, Turquia, Montenegro, França, Bélgica, Áustria, Chipre, Luxemburgo, Finlândia, UE28, EA19, República Checa, Hungria, Itália, Bulgária, Croácia, Albânia, EA12, Espanha, UE15, Dinamarca, Eslovénia, Roménia, Reino Unido, USA, Irlanda, Malta, Japão, Portugal e Grécia. Aqui, diferentemente de acima, as instituições situadas nos dois extremos (superior e inferior) desviam-se realmente da tendência estabelecida pelos demais, de valores intermédios. A Estónia, Macedónia e Letónia revelam-se as instituições mais estáveis (menos turbulentas); o Chipre, Malta, Japão, Portugal e Grécia revelam-se os países menos estáveis (de maior variabilidade).Observe-se que a relação existente entre as médias e as variações se apresenta (ver gráfico da direita na Figura 7) de independência linear (ou de correlação não significante). É que realmente as duas estatísticas aferem coisas diferentes não relacionadas.

Poderíamos submeter os dados do produto (desempenho) e da estabilidade (variância) a adicional esforço de procura de detalhes e deduzir resultados através de comparações cruzadas entre as categorias ou subconjuntos de instituições adotados, ou seja, proceder à comparação dos desempenhos (médias) pelos grupos de países e associações, conforme gráfico à esquerda da Figura 8 abaixo e proceder à comparação das estabilidades (variações) pelos mesmos grupos de países e associações, conforme gráfico à direita da Figura 8 abaixo.

Figura 8: Médias e Coeficientes de Variação por Categorias de Países

Da Figura 8, sobre as médias dos países, alguns factos são evidentes: os países da UE15 mostram-se de valores consideravelmente superiores seja, aos homólogos da UE13, seja aos homólogos do grupo dos 5 (“UE5”). Os membros das 4 associações mais os EUA e Japão ordenados mostram-se superiores em três casos (EA19, EA12, Japão) aos homólogos da UE15, ficando abaixo deles em dois casos (USA e UE15). Da Figura 8, sobre as estabilidades, podem ainda ser resumidas algumas ilações mais imediatas: 1º) as estabilidades dos países da UE15, com 15 lugares de ordem, aproximam-se das estabilidades da UE13, com 13 lugares de ordem; 2º) o subgrupo de Países de leste formado pela Estónia, Letónia, Lituânia, Polónia e Eslováquia mostram-se mais estáveis do que os seus 5 homólogos membros da UE15, a saber, Alemanha, Suécia, Holanda, França e Bélgica; 3º) os restantes 8 países de leste (Hungria, República Checa, Croácia, Bulgária, Eslovénia, Roménia, Chipre e Malta) mostram-se menos estáveis (com maior variação) do que os seus correspondentes membros ordenados da UE15, a saber, Áustria, Luxemburgo, Finlândia, Itália, Dinamarca, Espanha, Reino Unido e Irlanda; 4º) Portugal e Grécia, ocupando os lugares extremos superiores, em matéria de estabilidade mostram-se, de longe, os mais instáveis (maior variação) de todos os países ou associações com que sejam comparados; 5º) as 4 associações europeias, os EUA e Japão depois de ordenados mostram-se menos estáveis do que os homólogos da UE15 (Alemanha, Suécia, Holanda, França, Bélgica e Áustria) e mostram-se ainda menos estáveis do que do que o Luxemburgo e a Finlândia; 6º) os 5 países da fora da UE28 mas europeus encontram-se, nos três primeiros lugares de ordem, entre os homólogos da UE15 e UE13, depois, no último lugar de ordem, a Albânia aparece muito mais instável do que os países homólogos Bélgica e Eslováquia, só se deixando ultrapassar pela Dinamarca, Espanha, Reino Unido, Irlanda, Portugal e Grécia e pela Eslovénia, Roménia, Chipre e Malta. Podemos, em síntese, afirmar que, em matéria de desempenho ou produto, a UE15 e as associações mais EUA e Japão são mais avantajadas do que a UE13 e a UE5. Em matéria de estabilidade (variação) as diferenças esbatem-se relativamente, com as 4 associações, USA e Japão ganhando lugar de primazia.

Para terminar, mas antes de o fazer, observemos as imagens obtidas nas duas Figuras abaixo, a primeira, situada à esquerda resultante da marcação das médias em ordenadas (como variável dependente) e do CP1 como variável independente (regressora ou explicadora); a segunda, situada à direita e resultante da utilização das variações (estabilidades) como variável a ser explicada pelo CP1 como regressor. Serão efetivamente estas representações gráficas, ou outras que se encontrem próximas destas, e há muitas que se podem construir, que melhor informação transmitirão sobre a realidade do mapeamento captado sobre os estados-nação e associações objeto de estudo.

Figura 9: Diagramas de Dispersão das Instituições

Por conseguinte, para concluir com a ideia mestra (que logramos ter confirmado) sobre clivagens (delimitações ou recortes) regionais supranacionais, que não é a mesma coisa que fraturas regionais, de que a Europa e de forma mais estudada a União Europeia ainda em expansão (observe-se que o Brexit por nós simulado em ensaios efetuados não teve ainda impacto digno de nota) estão providenciadas, é um facto incontornável. Oque se torna mais curioso está na confirmação das duas europas, grosso modo, do tempo da cortina de ferro, materializada pela UE15 e UE13 dos países de leste mais recentes, digamos assim. A confirmação de uma Europa a duas velocidades parece a conclusão mais evidente. Uma clivagem dos países da UE13 em plena expansão (talvez potenciada pelas idiossincrasias dos povos germânicos e eslovacos), ressalta mais evidente do que uma delimitação homóloga a oeste de uma região meridional em contraste com outra setentrional. Portugal, Espanha e França, (foi argumentado acima), põem-se de permeio nessa clarificação, talvez fruto da integração maior no seio dos membros da UE15 do que da UE13. Os regionalismos supranacionais, (aqui é disso que se trata), em princípio, não possuem nada de mau (são produtos históricos e civilizacionais). O mesmo se passa com os regionalismos sub-nacionais que também há que serem promovidos, entre outros objetivos, para efeitos de identificação patriótica e de cidadania. Uns e outros conseguem refrear os nacionalismos de má memória, e tal não pode ser esquecido. As comunidades dos povos (das nações decentralizadas em regimes de democracias participativas), devem substituir os velhos estados nação com as suas sociedades civis centralizadas e burguesas.

VIII. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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