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A pouca-vergonha que teremos de pagar

Artigo de António Bagão Félix.


O caso do Banif ainda vai fazer correr muita tinta, mas é mais uma evidente prova de que as coisas não têm corrido bem em Portugal e que não tivemos uma “saída limpa” como tantas vezes foi anunciado, antes tivemos uma saída bem suja como demonstra este caso do Banif e, também, o que aconteceu no Hospital de S. José por se ter querido poupar nos médicos.

Recentemente, o Tribunal de Contas fez um levantamento dos apoios estatais concedidos ao sector financeiro e concluiu que “entre 2008 e 2014 foram concedidos apoios públicos ao sector financeiro cujos fluxos líquidos atingiram no final do período 11.822 milhões de euros negativos”. É demais!

Agora foi o Banif. Não se aprendeu a lição. Antes foi o BPN, o BPP e o BES, verdadeiros rostos de um sistema bancário incompetente, especulador, fraudulento e desonesto. Por diferentes razões, nuns casos criminosas, noutros de incompetência danosa. Muitos dos responsáveis destas calamidades passam incólumes entre os pingos da chuva. Alguns são mesmo reaproveitados para outras situações e pavoneiam-se na praça dos interesses partidários ou económicos. É gente que continua a considerar-se iluminada e que é tratado como grandes gestores que são pagos a preço de ouro, apesar da sua falta de escrúpulos e de ética empresarial. Muitos outros vieram encartados pela política partidária para servirem, promiscuamente, interesses estranhos à actividade para que foram contratados. Todos se especializaram em capitalistas de passivos.

É triste e degradante o comportamento miserável desta gente que tomou conta da nossa superestrutura e dos interesses de Portugal, um país em que 20% da população é pobre ou está em risco de pobreza severa, o desemprego atinge valores muito elevados, o salário mínimo é baixíssimo, a emigração continua, a território se desertifica, as grandes empresas públicas são vendidas. O povo português não merece isto!


Artigo publicado no blogue Tudo Menos Economia